Bowie, a Biografia

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Sabe aqueles memes, expectativa versus realidade? Foi como me senti lendo Bowie, a Biografia. Mesmo sabendo que é uma biografia não oficial, porque o cantor não permitia que escrevessem sobre sua vida, achei que o livro pelo menos faria um retrato sobre sua carreira e sua genialidade. O problema é que eu também não conhecia a autora. Pois é, erro de principiante, eu sei, ler um livro sem procurar saber melhor sobre seu autor. Mas fui seduzida pelo hype em cima do livro, sua bela capa (é, às vezes caio nessa) e, principalmente, pela morte de David Bowie (o que ainda não superei). Ou seja, a fã dentro de mim falou mais alto que a jornalista e me deixei levar pela emoção.

Logo no prólogo, a autora, Wendy Leigh, famosa “biógrafa” de celebridades (já volto a falar sobre ela), fala sobre o casamento de Bowie com Iman, além de descrever tudo como em uma matéria típica de revista de fofoca, ela destila todo seu recalque e preconceito em cima dos noivos, da mãe de Bowie e amigos mais próximos. Leigh tem um estilo que ficou muito popular nos anos 1980 de fazer biografia, dando destaque aos escândalos e à vida amorosa. Exatamente o que ela faz, fala do envolvimento de Bowie com drogas, sobre seus encontros amorosos e tenta montar um perfil psicológico do cantor usando sua psicologia barata de botequim. Seu estilo é tão antiquado, que ela trata a sexualidade de Bowie como uma coisa anormal e escandalosa, em pleno 2014 (ano em que o livro foi escrito). Chega a ser pitoresco tal texto conseguir ganhar vida em plena época de quebra de barreiras de gênero.

Na verdade, a carreira de Leigh é mais interessante que seus textos. Famosa por ter escrito as biografias de personalidades como Marilyn Monroe, Jackie Kennedy, J. F. Kennedy, Grace Kelly e até Patrick Swayze, foi descobrir que ela é coautora do livro “Minha Vida com Minha Irmã Madonna” que fechou o quebra-cabeça para mim. Esse livro foi escrito por Christopher Ciccone, o irmão problemático de Madonna. A escritora inglesa, começou a fazer sucesso em 1978 quando lançou o livro “O que torna uma mulher boa de cama”, depois, com a ajuda dos arquivos do jornal The Sun (enorme tabloide sensacionalista inglês) escreveu “O relatório da infidelidade: uma epidemia moderna e também bem-sucedida”. Dali ela partiu para as biografias e, pelo visto, nunca deixou de lado os textos recheados de sensacionalismo, pobre Bowie. Infelizmente Leigh faleceu esse ano, há pouco tempo, no final de maio, aos 65 anos. Caiu da varanda de seu apartamento em Londres, às margens do Tâmisa. Amigos e conhecidos acreditam que a escritora se matou, porque estava em depressão por causa da morte de sua mãe, no final do ano passado.

Ironicamente minha resenha sobre a biografia do Bowie acabou virando um minibiografia de sua autora, mas uma escritora tão inusitada merece mais do que uma simples citação. Enfim, Bowie, a Biografia, foi lançado no Brasil, esse ano, pela Editora Best Seller e traduzido por Joana Faro, que espero que não seja fã do Bowie, coitada. Se você curte biografias centradas em escândalos amorosos e com comentários embasados em psicologia barata, esse é o seu livro. Se não curte, bom, deixa pra lá.

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